o sono das tréguas

os escombros espreitavam-me ao longe enquanto eu bebia o café. sempre quis ignorar as tensões mas nunca consegui por alguma razão… infância mal digerida talvez. a impureza do olhar. sinto a sujidade, ataca-me. sai, grito, sai, e começo a rasgar a pele.

… sim… isso, já demoravas a agir! insinua-te e combate. revolta-te contra eles…


enquanto o céu esmorece e começa a sentir a escuridão a ganhar corpo… sou eu, digo, sou eu que me revejo na tragédia. o mundo sucumbe enquanto eu durmo. já não dormia fazia séculos. mas acordo como sempre acompanhado por ele, o meu amigo. meu único.

vamos, diz-me, vamos enquanto ainda sentes o calor na pele, o sangue tem de escorrer, tem de continuar enquanto respiro lentamente. és o palhaço do teu próprio circo. anda, diz-me, reinventa-te.

anda-te, reinventa-te, desmascara-te, sê tu. isso.

e assim deixei de ser mim próprio e passei a frequentar os sonhos dos outros, enquanto tentava adormecer sem tréguas…

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