(in)voluntário

encontrei um pedaço de papel junto aos caixotes do lixo. Peguei nele e pus-me a tentar decifrá-lo. Queimei duas horas de sol e energia cerebral. Senti-me dividido entre o amor e a solidão. Preferi o último porque o amor já não existe.

voltei a fumar. reincidi. sou feliz agora. as vozes ainda me desesperam quando mais preciso. estou sempre só – desistir de viver – e talvez me suicide um dia destes.

decidi percorrer todos os museus da cidade, todas as exposições, quadros, instalações, tudo. quero vomitar arte, porque a arte imita a vida, ou é a vida que imita a arte. Não sei e não me sinto particularmente interessado em descobri-lo. quero sentir por sentir. por isso inflijo dor a mim próprio. prefiro cortar-me, é mais libertador.

deixei de comer. além de não sentir vontade, penso que devo iniciar uma revolução em mim mesmo. sou a minha própria semente de transformação. contudo, não acredito na reinvenção. creio no eterno retorno. no inalterado. o regresso.

somos agora mais próximos. sofremos juntos. morremos juntos. caminhamos juntos. nunca te separarás de mim. mas podes tentar… ao menos divertir-me-ei com alguma coisa.

já não sorrio. vivo sem expressões. morri, até disso já estou farto.
o mar acalma-me. a alma explode. o sangue respeita-me. o corpo obriga-me. a mente desfalece.
até um dia. até já. ou mesmo adeus, quem sabe…

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