Em coma, e nem sequer consta que tivesse biblioteca.

Hoje foi o dia que derramei a minha mentalidade fraca na imundície do nevoeiro. A mística que atravessa pontes e estradas, prolonga-se sem que eu lhe peça o que quer que seja. A apoteose dos corpos que dançam todos os dias parecia hoje um feto cujo aborto o convida a afagar-se no ventre que futuramente pertencerá a deus. Atravassei o deserto só, deitei-me nos cactos e morri fetidamente no areal cansado. Sou eu que morro todos os dias e mão me quero aperceber. As drogas iniciaram o efeito no meu cérebro, curam-me da anormalidade e da loucura do mundo. Antes era deus que se regozijava na idade do ouro, e agora, deus morreu e foi o homem que além de o ter morto, executa a sua autópsia diariamente.

A necrose da minha pele alastra-se para o resto do corpo. A minha insanidade alastra-se pelo universo até que a morte nos separe. Ao menos deus já morreu e nada tem a dizer sobre o assunto. É curioso, já que deus se consta que não tivesse biblioteca, mas morreu precisamente pela palavra derramada nos livros.

Sinto-me em coma todos os dias. Respiro a minha dor em cada minuto que me estiro neste mundo atroz e cínico. Contudo, aprecio o sarcasmo. Sou o fã incondicional dessa ironia dos tempos, dessa estátua que marca a entrada do monumento da vida. Hoje não foi um bom dia, adormeci no café porque tinha insónia conjuntamente com dores de cabeça que se assemelham a amputações.

Sobrevivi hoje, mas não sei por quanto tempo me arrastarei…

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