No deserto da dor… o corte profundo no corpo. Deus abandonou-nos.

Estou certo de que morrerei da pior forma possível e imaginável. Sinto-o em mim como se de um axioma se tratasse. Porventura o cenário, as circunstâncias poderão variar, não obstante será classificada como horrífica e extremamente perturbadora. Desejo a mim próprio uma má morte, um jorrar de sangue, o novo mar vermelho cuja nascente brota do meu próprio corpo.

O calor bajulava-se, descontente no seu reinado,
Contornado pelo rio de lama e excrementos,
deturpa-se a visão clara e objectiva do coração andante.

Momentos inertes na minha memória trespassada pela dor infinita dos deuses. Suja-te no sangue. Embebeda-te com a seiva. Renasce não das cinzas mas do pó espalhado pelas ruínas.

Dor. Corte.

Contudo, sobreviverei por momentos aos cortes dilatados. Tornar-me-ei na minha própria poça. Nojento e com um cheiro de putrefacção avançado, entrarei em decomposição, e quando for avançada pensarei no que dizer quando Deus me perguntar porque decidi morrer naquele momento.

Serás enxuto, seco do teu sangue. Morrerás arduamente no deserto sem fim. Pária. Serás abandonado pela fortuna, pelas injúrias que cometeste na juventude. Seu fardo pueril. Seu pedaço de carne putrefacta.

Quero caminhar lado a lado com Deus no infinito e poder cuspir-lhe na cara sempre que me apeteça. Quero espancar esse deus que se diz sofrer por nós, e nos abandona nas guerras e extermínios diários.

Morrerei em paz. Não. Quero morrrer em dor e agonia. Sofrer o máximo possível ao humano, para que possa exclamar: “Nada do que é humano me é estranho.” Povoarei a dor tão brutalmente que tornar-me-ei dor. Farei a dor clamar por misericórdia.

Subiste ao cume. Atingiste o máximo que te era possível e agora deverás sofrer pela mão do teu criador. Não, quer renascer no ventre da minha mãe e voltar aos tempos de acolhimento. Ao calor. Regressar no tempo e perceber a civilização nos primórdios. 

Quero enfim sofrer em paz, descansar horrivelmente para o sempre, o infinito que me é permitido conhecer…

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