A dúvida. A morte todos os dias. Jamais terei sensação.

Supõe-se que eu esteja cognitivamente suspenso. Ora, refere-se claramente à cognição no sentido da aquisição e processamento. Os impulsos confundem-me. Não consigo organizá-los. Perturba-me a inconsciência do meu acto com consequências e fundamentos que são para mim desconhecidos. Subjaz-me uma lógica do irracional. Não, sou puramente paradoxal.

Somewhere… beyond the sea. I’m no longer to be myself. The ship has sailed, beyond reasoning. I no longer can produce doubt within my own conscience.

É subtil. A minha trajectória pelo mundo é agora descritora de um interior conturbado. Passo a descrever e não reflectir.

Passeio pelas ruas, e sinto-me vazio. Sinto-me um pária. Straniero. Avanço continuamente à procura do outro, e no fundo, de mim próprio. Busco qualquer sensação que me realça. Entro no café, sento-me. Bebo uma água e ouço um jazz distante… Algo de familiar atinge-me. Ouço vozes que me distanciam do café.

A morte é singela. A sua beleza perpassa-te no fio da tua indecência. Tornaste-te distante. És o culpado. O suicídio é a tua resposta.

Afasto-me do café, já não me sinto seguro. Estou a ser espiado. Desloco-me infinitamente no ponto, e descrevo uma linha em direcção ao mar. Sento-me no banco e observo as ondas. O azul. A areia. Deito-me nela. Sinto o vento. A frescura de uma outra vida passa de rajada do brevíssimos instantes. O tempo… o instante perdido. Esse ínfimo da minha alma que já não me deixa ser quem fui.

Fugiste do tempo, e feriste-o absurdamente. Agora sofres a consequência de Kronos. Morres lentamente sem te decompores. Foste abandonado da sensação. Do toque. Tornaste-te um anjo…

Parei no hotel. Entrei e senti a ambiência das vozes. Senti o calor desse humanismo porco e imundo. Da gordura e do pastisch da cobardia. Sensualidade e crueldade. Núa. Prossegui incerto no périplo.

Demovi-te do teu sentido. Rasguei-te a sintaxe. Não serás mais um indivíduo racional. Morreste. Pereceste no tempo ferido… por ti! Subjuga-te unicamente à tua própria confusão e irracionalidade. Estás abandonado. Perde-te para sempre.

Assim morri nesse dia, para renascer no seguinte. Um pedaço da minha humanidade dissolveu-se naquela praia distante do pensamento. Desejei morrer mas agora prefiro estar sentado na morte a observar a lua.

És prisioneiro de ti próprio. Nunca mais te livrarás da nebolusidade do pensamento enfraquecido…

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