A tinta no olhar sobre a morte

A caneta deslizava no papel branco, com aquele ar altivo que apenas a tinta permanente consegue instalar. O ponto, a linha e o plano convergem na entropia da minha racionalidade. Dos escumbros da minha esquizofrenia emerge o poder da caneta, o poder da escrita. Começa agora a falhar.

O olhar conversa com o tempo da poeira sujo e imersa de dilemas. A lágrima põe-se ao sol com o vento e serpenteia no cume da tua pele.

Já o sentido questiona-se na vertigem do abismo. O nexo, a concatenação lógica falha na minha mente, no escorrimento do pensamento surgem ligações imprevistas e afloradas de imprevisibilidade inconstante. O barco da minha sanidade partiu para não mais voltar.

Longos cabelos jogam futebol com os narizes mudos e a preto e branco, na varanda da minha infância explode a quintessência da sexualidade efervescente. A morte bateu à porta?

A meta já foi ultrapassada e conquistada há muito. Agora resta-me o irracional e a desordem. O caos, nesse momento anterior que prevalece no desmembramento da racionalidade, ou melhor, da estética. É no olhar que me construo e combato a minha esquizofrenia. Não, é no olhar que morro e quero morrer.

Quero olhar…

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