A claustrofobia do meu ‘eu’

Se quisesse enlouquecia, e neste caso, enlouqueci mesmo. Não sei se o queria, mas enlouqueci. O discurso perdeu-se. Quero perder-me nas minhas memórias irrecuperáveis. No meu inconsciente descobrir novos caminhos, discursos e rupturas. Quero contactar Diónisos. Ascender e superar a minha dor. Não quero sofrer, até porque Diónisos conspira contra mim.Quer-me embriagar para sofrer intensamente e infinitamente.

Mas o meu amigo Apolo convenceu-me que é melhor misturar o fogo com o pó e fugir pelo barco da manhã. Morrer à deriva é mais simpático do que viver encafuado no espaço mínimo da minha paranóia. Sou claustrofóbico.

Sim. Quero fugir à minha tenacidade de pensamento. Sou (ir)racional, irascível e incompetente. Descontinuado no meu prazer sem conceito, absorvo o mundo paralelamente ao meu consciente. Sou o inconsciente do mundo no meu próprio inconsciente consciente. Daí a escrever este texto miserável e imundo. Frio e triste na imensidão do tempo.

Vou morrer novo e paranóico. Vou findar sem cessar de pensar diametralmente ao homem comum. Vou subverter-me na inconstância da vida. Quero afirmar a minha existência. É pela música que vou sorver a dor em que existo e expiar-me de mim próprio, do meu eu para voltar ao infinito.

Libertei-me do consciente. Voltei ao inconsciente. Morri. Não, separei-me e tornei-me entorpecido.

Paralisei. 

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